Entidade se preocupa com os efeitos do aumento do percentual da mistura de biodiesel no diesel

Até 2023, o biodiesel deverá representar uma parcela de 15% na mistura com o diesel, para venda nos postos de combustível. O considerável aumento do percentual do combustível de origem renovável preocupa diversas entidades e até montadoras. Entre elas, a Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas (FENATAC).

Paulo Afonso Lustosa, presidente da Fenatac, diz que os os caminhões produzidos hoje no Brasil não foram feitos para receber tal mistura e que a danificação dos motores é, sim, um problema real e preocupante.

“Mesmo que as montadoras modificassem ou adaptassem os motores de seus caminhões para que esse combustível não se tornasse um problema, temos de pensar nos milhares de caminhões que neste momento estão rodando por nossas rodovias”, afirma Paulo.

Entre os problemas que podem ser causados pelo aumento do percentual de biodiesel no combustível estão o congelamento do combustível, a formação de borras nos motores, paradas repentinas dos caminhões e o entupimento dos filtros são os que mais se destacam, salientando a necessidade do setor de fazer os devidos ensaios.

Lustosa alerta que são necessários mais estudos, para reavaliar o aumento do teor, e, principalmente, ouvir o caminhoneiro, que “sofre na pele, ou melhor, no motor, as consequências perigosas do uso dessa mistura”.

A Fenatac tem realizado um trabalho em conjunto com as diversas entidades que compõem a federação, para que a pauta referente ao diesel B12 (com 12% de biodiesel) seja levada às autoridades competentes.

Apesar das ponderações, Paulo comenta não ser contra o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), programa lançado no final do ano de 2004 com o objetivo de introduzir o combustível renovável na matriz energética do País.

“É preciso que nossa frota esteja preparada para receber um combustível com um percentual tão alto de biodiesel”, afirma.

Outro impacto direto do biodiesel é no valor final do diesel. Como o custo de produção do combustível renovável é bem mais alto, impacta fortemente no valor pago pelos caminhoneiros na bomba.

Um estudo emitido pela CNT alega que a redução de metade da mistura de biodiesel ao óleo de origem fóssil comercializado no País causaria impacto imediato nos valores finais do diesel. Isso acontece porque a adição do óleo renovável contribui de forma significativa para o valor final cobrado pelo combustível.

Isso afeta de forma direta o setor do transporte rodoviário de cargas e propicia um aumento no combustível encontrado nas bombas dos postos. Além disso, por consequência, eleva os preços do frete de cargas, que, no último mês de agosto, registrou um déficit de 18,7% em todo o Brasil.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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