Possibilidade de greve de caminhoneiros é baixa, mas não pode ser descartada

por Blog do Caminhoneiro

O movimento da população para o próximo dia 07 de setembro, com manifestações que devem ocorrer em todo o país, recebe apoio de uma parcela expressiva de caminhoneiros, mas não é unanimidade. Para lideranças da categoria, o movimento deverá acontecer em alguns trechos de rodovias do país, com concentração principal em Brasília, mas não deverá evoluir para um greve geral, como aconteceu em maio de 2018.

A divisão da categoria em apoiar as manifestações se deve, principalmente, ao fato das pautas do movimento não serem ligadas diretamente às reivindicações dos caminhoneiros nos últimos movimentos, sempre ligadas aos valores de frete e ao preço pago pelo diesel.

Para algumas entidades, os caminhoneiros que se envolverem nas manifestações do próximo dia 07 agirão como cidadãos brasileiros, e não como caminhoneiros especificamente.

Uma das entidades que se posicionou sobre o movimento foi a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, CNTA, que disse que não apoiará o movimento diretamente, mas “compreende que trata-se de um dia de atos pelo país organizados pela população, convocados e divulgados nas redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens e que não carregam em seu escopo nenhuma reivindicação específica relacionada à atividade profissional do caminhoneiro autônomo”.

A entidade também afirma que “não pode se furtar de que o caminhoneiro autônomo antes de tudo é um cidadão brasileiro e, consequentemente, um sujeito de direitos e obrigações, detendo toda a condição de participar livremente na construção coletiva de uma sociedade mais justa, igualitária e solidária. Desse modo, eventual participação de um caminhoneiro na manifestação do dia 07 de setembro representará a vontade individual desse cidadão brasileiro, que decide por si próprio exercer seu direito de livre manifestação e liberdade de expressão”.

A nota da entidade é encerrada dizendo que todas as entidades coligadas à ela manterão sempre o diálogo, o respeito às leis, a ordem e o esforço conjunto, visando o desenvolvimento e o crescimento do país.

Já o Sindtanque-MG (Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais), que representa caminhoneiros que transportam combustíveis e derivados de petróleo em Minas Gerais, disse que os transportadores irão parar as atividades a partir do dia 07/09.

O presidente do sindicato, Irani Gomes, disse que a entidade apoia as manifestações, desde que sejam ordeiras, tenham responsabilidade e não sejam partidárias. Para ele, o movimento deverá ganhar adesão de 100% da categoria, não só em Minas Gerais, mas no Brasil inteiro. Em MG, a manifestação dos caminhoneiros pedirá a redução do valor do ICMS cobrado sobre o diesel.

Para alguns representantes dos caminhoneiros, o movimento poderá crescer nos dias seguintes ao dia 07, que poderá envolver caminhoneiros de todos os segmentos, em todas as regiões do Brasil.

Mandado de prisão

Um dos nomes que mais tem sido comentados nos últimos dias em relação á manifestação do dia 07 é o de Zé Trovão, o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, que é considerado foragido após ter a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O advogado do caminhoneiro, e ele mesmo, em vídeos divulgados nas redes sociais, disseram que ele não irá se entregar antes do dia da manifestação.

O caminhoneiro é um dos diversos alvos do STF, em uma apuração por incitação a atos antidemocráticos. A prisão foi solicitada pela Procuradoria Geral da União (PGR), e a determinação do ministro atendeu ao pedido.

Pautas do movimento

Entre as pautas do movimento do dia 07 estão o impeachment dos ministros do STF, a defesa da democracia, da Constituição e das instituições. O movimento também deve pedir que os governantes e outras pessoas com poder de tomar decisões pela população passem a agir de acordo com a vontade do povo. Nas redes sociais, o pedido é que as pessoas vistam verde e amarelo e hajam de forma pacífica.

A maior concentração deverá ocorrer em São Paulo, na Avenida Paulista. Neste local, é esperada a presença do Presidente Jair Bolsonaro.

O movimento Nas Ruas, que organiza uma parte das manifestações, disse que pautas como a intervenção militar estão fora, e não devem ser pedidos pelo povo.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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