J. Pedro Corrêa – Cinco meses

por J. Pedro Correa

Daqui há cinco meses, dia 2 de outubro próximo, os brasileiros estarão voltando às urnas, elegendo o presidente da República, senadores e deputados federais e estaduais. A zoeira da campanha continua crescendo nas ruas e tudo indica que este ano ela será ainda maior do que nos anos anteriores graças, entre outros, aos “avanços” da Internet. Faz parte da democracia e temos de estar preparados para suportar este período.

O que me preocupa é que, a continuar da maneira como se desenvolve o debate nacional, corremos o risco de, novamente, não ver inserido o tema trânsito na pauta eleitoral deste ano. Assim, depois, não adianta chorar o leite derramado pois no momento em que podíamos não fizemos a nossa parte. Por isso, me atrevo a levantar o assunto agora, ainda com tempo de desenvolver uma ação pessoal ou em grupo. Aliás, já há outros grupos fazendo seus barulhos, em defesa de suas causas, o que, além de democrático, é louvável.

Meu ponto é o seguinte: apesar da comunidade do trânsito ter crescido bastante no Brasil, ainda não temos uma centralização, uma coordenação nacional, uma instituição que lidere efetivamente o movimento em favor da humanização do trânsito. E isto é vital, num momento pré-eleição como este. É uma oportunidade de ouro que não pode ser desperdiçada.

Façamos um teste: se você conhece algum candidato(a) a qualquer cargo eletivo deste ano, ou tem ligações diretas ou indiretas com ele(a), é possível que tenha vontade de formular uma proposta para melhorar o trânsito da sua cidade. O que você pode pedir? “Melhorar o trânsito” é muito vago e dá ao candidato a chance fácil de escapar. O que fazer, então?

Minha sugestão é que você discuta o assunto com amigos do trânsito que já possam ter ideias mais sólidas a propor. Caso, ainda, a proposta não esteja tão firme, por que não procurar técnicos da área de trânsito da prefeitura da sua cidade e levantar o ponto para discussão? Não se surpreenda, contudo, se o próprio colaborador da prefeitura tampouco tiver ideia bem formada do que pode ser proposto ao candidato por falta de um plano municipal de longo prazo que poderia servir de base para sugerir. Dá tempo para estudar.

Esta a vantagem de começar agora a inserir o trânsito na campanha deste ano. Ainda que não seja um espaço de tempo tão grande, será possível reunir técnicos e interessados no transito da sua cidade e eleger as prioridades para discuti-las com o candidato. Lembre-se que este é o oxigênio que o candidato precisa para a campanha: bons planos de benefícios para sua cidade/região. Obviamente que, quanto mais estruturada for a proposta, mais chances ela terá de ser inserida e defendida.

Importante frisar que, do ponto de vista do político, não se trata de “ajudar o trânsito” mas de cumprir o juramento que faz na tomada de posse de melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Não é ajuda, é dever, obrigação, mas como nós temos interesses no assunto, devemos colaborar ao máximo.

É essencial que saibamos exercer nosso direito de cidadãos e ser bem representados nas assembleias, senado e na própria presidência, na defesa dos nossos legítimos interesses. É justo também que saibamos exigir daqueles que elegemos o melhor desempenho na defesa dos anseios da sociedade. Para isto precisamos ser consistentes nas propostas que fizermos, sempre baseadas em dados confiáveis e na certeza de que sejam causas coletivas e não de interesses particulares.

A alegação de que “brasileiro não sabe votar”, atribuída ao jogador Pelé, está sendo desconstruída há tempos. É verdade que, à cada eleição, maus exemplos ainda acontecem nas cidades brasileiras, mas esta percepção tem ficado cada vez menor. Por isto, cabe àqueles que têm consciência, que sabem da importância do voto, dar o bom exemplo, liderando as demandas durante a campanha.

Assim, vamos considerar como muito importantes os próximos cinco meses para fazer os deveres de casa para propor boas causas para a segurança no trânsito. Não é possível que continuemos aceitando impassivelmente a morte de mais de 30 mil brasileiros, de centenas de milhares de sequelados e bilhões de reais jogados no lixo por causa dos sinistros do trânsito e depois coloquemos a culpa “nestes políticos que não fazem nada e não nos representam”. Nós os elegemos, não os ajudamos nem os fiscalizamos.

Lembremos que o grosso do problema trânsito acontece na cidade e por isso não podemos deixar de nos envolver na demandas para melhorá-lo e para tanto necessitamos do apoio dos políticos que elegemos. Daí, a importância em termos muito claro nossos anseios na ponta da língua. Da nossa atitude, hoje, depende muito o futuro do país amanhã, lembrando que neste futuro viverão nossos filhos e netos. A missão está aí.

J. Pedro Corrêa – Consultor em programas de segurança no trânsito
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