Autônomos nos Estados Unidos ganham bem, mas não estão livres de intermediários nos fretes

O preço do diesel está nas alturas. A frase que serve para o Brasil, também é realidade em praticamente todo o mundo, especialmente em decorrência da Guerra na Ucrânia, que impactou o mercado e as reservas de petróleo no mundo inteiro.

Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel com baixo teor de enxofre está na casa dos US$ 5,62 por galão (R$ 28,45), o que dá US$ 1,48 por litro (R$ 7,49 em conversão direta).

Mesmo com a alta, os caminhoneiros norte-americanos não deixam de faturar, mesmo que a lucratividade esteja menor. Isso porque a economia do país vai muito bem, e tem menos caminhões do que cargas disponíveis, fazendo com que os preços dos fretes fiquem mais altos.

De acordo com Paulo Landim, caminhoneiro do Paraná que vive atualmente na Flórida, e viaja por todos os Estados Unidos, são poucas as cargas que oferecem um valor abaixo dos US$ 3 por milha rodada. Ele realiza o transporte de cargas com uma carreta prancha (flatbed), que tem uma oferta de cargas ainda maior.

Em algumas regiões existem fretes com valores abaixo dos US$ 3 por milha. É o caso da Flórida. Por isso, quando está no estado, prefere rodar vazio até outras regiões, como a Georgia, onde as ofertas são melhores. E, em alguns casos, os contratantes podem pagar valores de até US$ 5 por milha rodada, para cargas especiais, com horários mais apertados ou onde sejam necessários muitos caminhões.

Mesmo com as vantagens, os caminhoneiros norte-americanos não estão livres dos intermediários. No país, as grandes empresas embarcadoras negociam suas cargas com Corretores de Caminhões, que tiram uma porcentagem sobre as cargas para repassarem para Despachantes de Cargas, que também tiram uma fatia, porém menor.

Paulo Landim nos contou que os Corretores, chamados de Truck Broker no pais, podem receber até 30% do valor repassado pelos embarcadores. Isso se deve principalmente ao fato dessa profissão exigir qualificação extra, como um curso especializado, além de ser necessário ter poder de negociação com os donos das cargas.

Já os despachantes, que faturam menos que os corretores, são os responsáveis por conseguir os caminhões para os carregamentos, e de negociar os valores dos fretes diretamente com os caminhoneiros, especialmente os autônomos, como no caso do Paulo.

Depois da carga entregue e o canhoto da nota assinado, o caminhoneiro poderá receber os valores devidos em 30 ou 40 dias, mas pode tentar “vender o frete” para empresas de gestão de pagamentos, que cobram entre 2% e 3% para efetuar o pagamento antecipado ao caminhoneiro.

Mesmo com tantos passos entre procurar uma carga e efetivamente receber o valor devido pelo frete, o caminhoneiro norte-americano tem uma disponibilidade de carga muito alta, diferente do Brasil.

Isso se deve ao fato da frota total de caminhões, que está na casa dos 23 milhões de veículos, ser menor do que o número de cargas disponíveis. Aqui no Brasil, mesmo com uma frota na casa dos 2 milhões de caminhões, ainda existe uma oferta de caminhões muito alta, o que explica os fretes mais baixos e a dificuldade de negociação dos caminhoneiros na hora de conseguir uma carga.

Por isso, por aqui o valor do diesel impacta tanto nos custos dos caminhoneiros. Já, nos EUA, esse custo fica mais diluído dentro do que o caminhoneiro vai receber ao final da viagem.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro | Foto de paulosslandim_

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