Conheça o curioso Diamond T “Pinóquio”
Na antiga história infantil, Gepeto, um senhor que vivia sozinho, constrói um boneco de madeira que ganha vida, o Pinóquio. Cada vez que o pequeno fala uma mentira, o nariz cresce.
A história de um caminhão Diamond T 730C fabricado originalmente em 1957, que era equipado com um motor a gasolina RD450, produzido pela International Harvester, foi mais ou menos parecida com a história do Pinóquio, especialmente pelo nariz.
O caminhão era usado para o transporte de grãos para a empresa Gripp Trucking de Annawan, Illinois, e fazia muitas vezes por mês a Rota 6, que posteriormente se tornou a Interstate 80.
O problema é que o caminhão era muito lento quando carregado. O motor era fraco e o tráfego andava muito mais rápido que o pequeno caminhão.
Por isso, o Gepeto dessa história, Frank Gripp Senior, dono da transportadora, decidiu que seria uma boa ideia utilizar um motor adicional no veículo, para garantir mais potência.

A segunda opção foi um motor de um velho Jeep, com quatro cilindros, que tinha uma faixa de rotação mais alta, mas pouca potência, não fazendo diferença na estrada.
A solução ideal foi a instalação de um motor Buick V8, inclusive com a caixa de câmbio automática e o conversor de torque. A saída da caixa de câmbio foi ligada à polia do motor do caminhão, e assim surgiu o Pinóquio como é até hoje.
Já na primeira viagem, a diferença foi grande. O caminhão foi carregado com uma carga de trigo, para a cidade de Davenport, no Iowa. Frank Gripp Senior foi de carona no caminhão, e todos os outros caminhões da Interestadual 80 foram ultrapassados. Apenas a embreagem do Diamond T que patinava por causa da potência extra. Por isso, foi substituída por uma com molas mais fortes.
O curioso é que os comando para os dois motores eram únicos, o acelerador original do caminhão, e, quando era acionado, o câmbio do Buick saía de neutro para terceira marcha de uma vez só, sem usar a primeira e segunda.

Outro caminhão idêntico pode ter sido construído, mas não existe uma história mais completa sobre esse veículo. O Pinóquio original foi usado até 1975. Ele foi encostado na garagem da transportadora, e muitas peças, como o eixo traseiro, foram usados em outros caminhões.
No final dos anos 1980, o caminhão foi vendido, praticamente sucateado, para Mike Pagel, um colecionador especializado em caminhões Diamond T, de Muscatine, Iowa. No início da década de 1990, o caminhão foi então vendido para a Adams Transit.
O tempo foi cruel com o caminhão, a cabine estava destruída, mas ele ainda ostentava o segundo motor.
Oito meses de trabalho duro foram necessários para a restauração completa do caminhão, e uma nova cabine precisou ser comprada para substituir a original. O capô também foi refeito, e recebeu uma grade original do Diamond T.
Jim De Young, presidente da Adams Transit, disse que tiveram um grande susto quando foram dirigir o caminhão pela primeira vez após a restauração. O peso extra na dianteira deixa o caminhão com a direção muito pesada e instável quando desengatado, e quase foi causado um acidente com o veículo.
O caminhão bimotor ficou na coleção da Adams Transit até 2013, quando a empresa teve cerca de 80 caminhões leiloados. Aparentemente, o caminhão foi vendido para um colecionador de Washington, capital dos EUA, que tem um museu na região. Mas não se sabe exatamente o paradeiro dele atualmente.
