Roberto Dias Alvares‏Z-Colunas

HISTÓRIA DA ESTRADA – A NOVIDADE QUE CHEGOU

Imagem divulgação

A pujança do agronegócio.
Faz do Brasil uma potência.
Só quem quer, fica no ócio.
Alimentamos o mundo, todos têm ciência.

A terra produz em profusão.
Tudo que nela for plantado.
Para levar a safra, o caminhão.
Esse é o veículo mais adequado.

Antes o que chegava aqui.
O que na Europa já era obsoleto.
Agora, ver chegar, finalmente vi.
O que há de melhor para fazer carreto.

Chegou o Scania setecentos e setenta.
O caminhão mais potente do mundo.
Oitenta toneladas, puxar ele aguenta.
E não precisa ir com o pé no fundo.

Uma grande transportadora.
A adquirir um, foi a primeira.
Queria ser dele a detentora.
Seria visto pelas estradas brasileiras.

Para dirigir tamanho investimento.
Não poderia ser qualquer motorista.
Profissional que conhecesse o equipamento.
Que também fosse craque na pista.

Miguel não era o mais antigo.
Era o melhor motorista, todavia.
Carregou de eletrônicos até trigo.
Conhecia qualquer rodovia.

Entre os motoristas da empresa.
Todos queriam dirigir o Scania.
Ter a confiança do patrão a certeza.
Maltratar o estradeiro seria infâmia.

Quando chamaram Miguel ao escritório.
Outros motoristas olhavam com desdém.
Eram aqueles invejosos, isso era notório.
Diziam: “Prefiro o Mercedes Benz”.

Do jeito que Miguel entrou, também saiu.
Guardou dentro de si a satisfação.
Para a concessionária partiu.
Levado até lá no carro do patrão.

Ao chegar, lá estava o Scania.
Gigantesco, imponente, impávido.
Bateu uma ansiedade momentânea.
De subir a bordo e dirigi-lo, estava ávido.

Ao dar partida, emoção foi instantânea.
Motorista experiente, não entraria em pânico.
Ao entrar na pista com o poderoso Scania.
Não tinha quem não olhasse o cavalo mecânico.

Ao chegar na empresa de transportes.
Já tinha semirreboques à sua espera.
Dirigir o Scania, foi competência, não sorte.
Sentia-se o domador de uma poderosa fera.

Engatou os semirreboques no Scania.
Ia se habituando aos comandos no painel.
Computador de bordo interagia de forma simultânea
Parecia uma nave voando pelo céu.

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Com quarenta e cinco mil quilos nas costas.
O novo Scania mostrava a que veio.
Pensava: “Do patrão foi a melhor das apostas”.
Para tanto motor, tinha também um bom freio.

O que Miguel não esperava.
Já tinha malandro de olho.
Um carro o seguia e vigiava.
Que colocasse as barbas de molho.

Era um trecho longo de subida.
Bandidos tinham que tomar decisão.
Ultrapassagem deveria ser conseguida.
Seria o único jeito de parar a composição.

Bandidos ultrapassaram e desceram.
Queriam render o motorista Miguel.
Contudo, que ele não pararia, perceberam.
O carreteiro não iria mais cedo para o céu.

Com motor tão potente no cavalo.
Venceu rapidamente o aclive
Avistou homens querendo pará-lo.
Situação difícil para quem na estrada vive.

Miguel tinha que resolver.
Decidiu que não pararia.
Esperava disparo de revólver.
Mas nenhum disparo ocorria.

Os criminosos tinham encomenda.
O Scania, levado ao País vizinho.
O receptador possuía lá uma fazenda.
Miguel se via naquele momento sozinho.

O comprador do Scania roubado.
Queria o veículo em perfeitas condições.
Por isso nenhum tiro fora disparado.
Miguel vivia as mais fortes emoções.

Apertou o acelerador até o final.
Motor cresceu, o ronco ficou encorpado.
O Scania ia em velocidade total.
Parecia trem expresso descontrolado.

Aquele trecho de asfalto.
Era pista dupla, o piso estava bom.
A cavalaria do motor relinchava alto.
Dentro da cabine quase não se ouvia som.

Naquela perseguição desenfreada.
Miguel pensava como acabaria.
Seu itinerário era por aquela estrada.
O carro dos bandidos, de perto seguia.

O carreteiro parou na Polícia Rodoviária.
Os criminosos seguiram em frente.
Os policiais saíram na perseguição viária.
Prender esses marginais era premente.

Miguel ligou para seu patrão.
Avisar que sofrera tentativa de assalto.
O empresário demonstrou satisfação.
Aquele motorista não era um incauto.

Os bandidos conseguiram escapar.
A polícia fez diligências em toda região.
Miguel seguiu viagem, precisava chegar.
Cavalo e semirreboques valiam um milhão.

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Quando estava próximo da chegada.
Dois carros pararam à sua frente.
Bandidos prepararam uma cilada.
Miguel pensava, fervilhava sua mente.

Lembrou que não atiraram da primeira vez.
Por isso, avançou sobre os dois veículos.
Nenhum deles esperava que fizesse o que fez.
Com alguém próximo de Miguel, eles tinham vínculos.

Desta vez não houve tempo hábil.
O Scania atingiu em cheio os carros.
Miguel, com a tensão mordia o lábio.
Automóveis desmancharam como par de jarros.

O carreteiro pensou na melhor solução.
Seria ruim cair nas mãos dos bandidos.
O Scania parecia máquina de destruição.
Criminosos sentiram-se perdidos.

Passava pelo local, viatura.
Policiais desceram, pistolas em punho.
Criminosos viram a situação escura.
Se fugissem, armas dariam testemunho.

Parou seu rodotrem, desceu do bruto.
Da proteção policial estava ao abrigo.
Foi fechado próximo a um viaduto.
Escapou daquele grande perigo.

Miguel saiu dali a toda pressa.
Chegou ao local de entrega rapidamente.
Perguntaram que coisa era essa.
No Scania, para-choque quebrado somente.

Após explicar o acontecido.
Sobre a dupla tentativa de assalto.
Achou que estava perdido.
O carreteiro ainda estava em sobressalto.

Eis que teve outra grande surpresa.
Tinha de voltar urgente com o caminhão.
Na delegacia bandidos disseram com clareza.
Chefe da quadrilha, de Miguel era o patrão.

Empresário tinha torpe intenção.
Da desonestidade possuía a sanha.
Fizera seguro daquele valioso caminhão.
Ele próprio mandou roubar seu Scania.

Após a prisão do empresário corrupto.
Miguel foi mantido como motorista.
Mesmo vivendo evento abrupto.
Se desvencilhou de ladrão e patrão golpista.

Autor: Roberto Dias Alvares

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.

Um comentário sobre “HISTÓRIA DA ESTRADA – A NOVIDADE QUE CHEGOU

  • Espero que gostem dessa história cujo personagem enfrenta uma tentativa de assalto a bordo de um Scania 770.

Fechado para comentários.

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