O agenciador de fretes, o trader, as tecnologias e a ociosidade

por Blog do Caminhoneiro

caminhao na estradaMuitos dos que contratam transportes, especialmente de transportadores autônomos, recorrem ao agenciador que é um intermediário que facilita encontrar oportunidades de negócios.

Para o transportador a pior situação é a ociosidade não remunerada,(seja rodar vazio, seja subutilização dos espaços nos veículos) porque ter um caminhão custa caro o que justifica todo o esforço pelo transportador para encontrar novas cargas para transportar.

Os agenciadores sabem onde tem cargas e, mediante uma comissão sobre o frete, indicam os negócios existentes. Para isso criaram, em locais de grande movimento de cargas, um engenhoso sistema que surpreende pela simplicidade e eficácia.

Trata-se de um painel ou mesmo um quadro onde são publicadas as ofertas de transportes.

As oportunidades são escritas em post-its onde escrevem o destino, peso, tipo de mercadoria e valor proposto.

Quem se sentir atraído pela oferta só tem que retirar o post-it e leva-lo até o balcão e conversar com o agenciador sobre os detalhes complementares.

No tempo em que a tecnologia era escassa as ofertas eram anotadas num livro e, presencialmente ou por telefone, os motoristas negociavam as melhores oportunidades.

Com tecnologia abundante o agenciador seria hoje caracterizado como um trader da palavra inglesa trade em tradução aproximada negócio e negociador.

Os trader’s operam em praticamente todos os segmentos comprando e vendendo tudo o que existe no mercado, seja financeiro, agrícola, de minérios, etc.

Nos fretes, a intermediação é realizada de forma presencial ou por telefone e, mais recentemente, por computador. Esse negócio de contratação de fretes, agenciados ou não, é significativo e poucos se arriscam fixar um percentual de sua representatividade nos mais de R$ 206 bilhões (conforme o ILOS).

Em publicação recente calcula-se que transporte seja 6.7 % do PIB brasileiro (superior aos R$ 4 trilhões de reais)

Os agenciadores acrescentam flexibilidade ao negócio de transportes, seja na safra de grãos do Centro-oeste, filas (ou falta delas) no Porto de Santos, exportação de frango para a Rússia, crescimento do e-commerce e assuntos correlatos.

…mas quem são os agenciadores?

São empresas com equipes estruturadas e bem treinadas capazes de responder em minutos, questões intrincadas e complexas e, em tempo real.

Contratos de fretes seguem a lógica do mercado: o que se combinou está combinado e, tenha um papel ou forma verbal, trata-se de contrato a ser honrado e, ai de quem não cumprir as transações acertadas…. Notícias correm e os agenciadores se conversam em todos os quadrantes do País.

Tecnologia e modernidade

O celular e depois o smartphone, com suas multifunções e acesso à internet, trouxe para os transportes uma revolução ainda não totalmente avaliada. O certo é que raramente encontramos um transportador que desconheça os benefícios disso e não tenha pelo menos dois celulares a sua disposição.

Quando um transporte se inicia, a busca por carga de retorno ou por novos negócios é ativada. Ao chegar ao destino o motorista já sabe das oportunidades existentes. Para isso concorrem o agenciador de fretes e os aplicativos que rodam na Internet e que ampliam as possibilidades de novos contratos.

O Truckpad foi pioneiro, mas logo surgiram outros, uma dezena de ferramentas auxiliares nessa tarefa. Nos postos de combustível as notícias correm… O transporte é um mundo em movimento.

O Brasil é um país concentrado em zonas urbanas, a maioria em regiões litorâneas. Para cada caminhão que vai carregado para o interior apenas um terço volta com alguma carga. Dai os deságios nos fretes e a competição acirrada.

Custo da ociosidade

O que mais pesa nos baixos valores dos fretes é a excessiva oferta. Em seguida vem o tempo ou prazo de transporte. Como os prazos são muito curtos os veículos viajam com cargas incompletas. Há forte suspeita de que exista entre 30% e 40% de ociosidade.

É um índice insuportável, cuja solução depende de difíceis negociações entre embarcadores e transportadores. A pressa tem preço, mas ampliar prazos não é opção para o embarcador.

É arriscado afirmar que a redução da ociosidade resolveria a maior parte dos problemas dos custos de transporte, mas certamente contribuiria decisivamente para reduzi-los.

Frete é uma questão sensível na economia e também para o transportador. Fazer do agenciador de carga um aliado ou estorvo e adotar tecnologia como estratégia para melhor contratar transportes e opção de cada um.

No transporte tudo é tradição, costume e história. Na internet, onde tudo é novidade ideias de compartilhamento e colaboração são benvindas. Através disso formam-se grupos capazes de compartilhar recursos e competências em prol da ampliação de um mercado, de um conceito e de uma cultura. Mas isso já é outra questão que fica para o futuro.

Texto de Paulo Westmann

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