COLUNA MOBILIDADE EM FOCO – FIRME E FORTE, O VOVÔ SCANIA CONTINUA TRABALHANDO

por Blog do Caminhoneiro

SCANIA TRÊS EIXOSPossivelmente ele não está mais na ativa, afinal já se passaram 23 anos, mas na revista Rei da Estrada de nº 46, edição dos meses de março/abril de 1992, página 18 (penúltima página), foi publicada uma matéria que é uma verdadeira preciosidade nos dias de hoje. Não somente hoje, naquela época já era. E começava assim: “Seo Oswaldo e seu velho Scania L75 estão juntos já há mais de 33 anos. O motorista tem 66 anos de idade e o seu caminhão mais de 2.250.000 quilômetros rodados. E continuam trabalhando até hoje”. Resumindo, o Scania L75 de propriedade do veterano caminhoneiro já tinha rodado mais de dois milhões de quilômetros, o que não é pouca coisa, além de que são poucos os brutos que alcançam tamanha quilometragem.

Dando continuidade ao relato. Uma verdadeira jóia rara continua operando nas estradas do Sul do Brasil. Trata-se de um Scania Vabis L75, fabricado no ano de 1958, de propriedade do Sr. Oswaldo de Mello, morador da cidade de Gravataí, no Rio Grande do Sul, e que, ainda hoje (em 1992), continua puxando carga para Curitiba e São Paulo. O veículo, que foi adquirido zero quilômetro pelo Sr. Oswaldo no dia 19 de dezembro de 1958, faz parte, ainda, da primeira fase da Scania no Brasil, quando os caminhões da marca eram importados em regime de CKD e montados na fábrica da Vemag, em São Paulo. Até hoje encontra-se em seu estado original e o seu motor, de 175 cv de potência, o famoso “maçarico”, está com 2.250.000 quilômetros rodados.

Isso equivale a aproximadamente 56 voltas ao redor da Terra pela linha do Equador. Seo Oswaldo continua tratando do velho Scania com o mesmo carinho que o fazia quando o comprou em 1958. “E não é para menos, afinal de contas foi graças a ele que criei meus seis filhos”, afirma o experiente motorista de 66 anos de idade, que por sinal gosta de ser chamado de “chaufer” (assim mesmo, em francês, porque sua autorização para dirigir veículos de carga ainda é do tempo em que a palavra “chaufer” não estava aportuguesada para chofer). Uma curiosidade interessante é que o Sr. Oswaldo faz aniversário também em dezembro, o mês em que comprou o caminhão, e por isso faz questão de todos os anos comemorar os dois aniversários na estrada e com champanhe.

“Tomo um pouquinho e depois derramo o resto no motor do bruto”, conta, orgulhoso. O resultado de todo este cuidado com o velho L75 é que ele continua trabalhando até hoje (1992) e num estado impecável. O caminhão foi descoberto através do concurso “Caminhão Lindão”, promovido pelo programa de televisão Clube Irmão Caminhoneiro Shell e, por sinal, numa homenagem ao cuidado com que é tratado, foi eleito o caminhão mais bonito do Brasil. Como homenagem especial, Seo Oswaldo foi convidado para visitar, no último dia 06 de dezembro, a fábrica da Scania do Brasil, em São Bernardo do Campo.

Neste dia ele foi recebido pelo próprio presidente da empresa, Ake Brännström, que fez questão de cumprimentá-lo pessoalmente por todo o carinho, atenção e cuidado com que cuidou de um produto da marca ao longo destes últimos 34 anos. Terminando o relato da matéria publicada na revista Rei da Estrada, vou dar uma alongada no texto e acrescentar que o Scania Vabis L75 ficou famoso nos anos 60 pela sua robustez, a elevada capacidade de carga e o baixo consumo de combustível. Sua produção começou em 1959 e foi o primeiro caminhão fabricado pela montadora sueca no Brasil. No dia 28 de abril de 1959 saiu o primeiro da linha de montagem. Antes os Scania Vabis eram montados no país pela Vemag, que importava os veículos da marca desde 1951 em regime CKD. O L75 estreou na linha de montagem com 35% de peças nacionais, o resto era importado da Suécia, incluindo o motor. A partir de junho de 1960 o motor do L75 passou a ser fabricado numa planta industrial no Bairro do Ipiranga. Coube a Transportadora Michelon a honra de comprar os primeiros caminhões L75 brasileiros.

A venda foi efetuada pela primeira concessionária Scania no Brasil, a Brasdiesel, de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. As notas fiscais da venda têm como data o dia 15 de junho de 1960. O L75 era considerado o “rei da estrada” dos anos 60, pois nenhum outro tinha desempenho compatível ao dele. O motor recebia a nomenclatura técnica D-10 e tinha 165 cv de potência máxima, praticamente a mesma potência dos FNM D-11000, mas o motor do Scania tinha maior torque e velocidade média superior. A robustez do L75 logo fez a fama dele, mesmo rodando nas precárias estradas de chão batido da época. Atingia facilmente 400.000 quilômetros rodados antes da primeira retífica do motor, chegando a rodar até mais de um milhão de quilômetros.

Era um seis cilindros em linha, quatro tempos, injeção direta, 10 litros de cilindrada, caixa de câmbio com cinco marchas a frente, sincronizadas. Sem contar que era considerado muito econômico. Com relação às cores os primeiros L75 eram pintados na cor cinza claro. A partir de agosto de 1960 o modelo passou a ter sua cabine na cor azul claro. E a partir de abril de 1963 na cor vermelho claro, que alguns insistem em dizer que seria a cor laranja. Voltando ao L75 do Sr. Oswaldo, pra finalizar, se de dezembro de 1958 a dezembro de 1992, período de 34 anos, ele rodou 2.250.000 quilômetros, significa que, em média, ele rodou 66.177 km/ano, 5.514,750 km/mês (5.515 km), 181,307 km/dia (181 km).

Texto/matéria: Carlos Alberto Ribeiro

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