Artigo: Carga pesada demais

por Blog do Caminhoneiro

Estudos técnicos realizados sistematicamente pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) têm revelado os malefícios de uma prática cada vez mais comum nas rodovias brasileiras, que é o tráfego de caminhões com excesso de peso de carga, excedendo em muito todos os limites técnicos, legais e de segurança.

Os argumentos apresentados pela CNT são mais do que suficientes para uma enérgica ação pública que iniba a prática. Aumento de custos operacionais do frete pelo aumento do consumo de combustível, desgaste de peças e pneus e, principalmente, uma drástica redução na segurança. Segundo o estudo, sobrepeso é causa da maioria dos graves acidentes com caminhões.

O problema impacta fortemente na deterioração do pavimento das rodovias, provocando um processo de causa e consequência que só amplifica seus malefícios. Mais sobrepeso deteriora o pavimento, que, como consequência, aumenta o custo operacional e o risco de acidentes.

Como se aumento de custos e as seguidas mortes nas estradas não fossem argumentos suficientes, o que se vê é um descaso total em relação ao problema, tanto de usuários quanto do poder público.

Como a má educação e o senso de oportunismo de alguns motoristas e frotistas brasileiros não permitem uma solução, cabe ao poder público coibir tal prática, lavrando multas a todo motorista que for flagrado transportando carga com sobrepeso, mediante pesagem nos postos instalados em grande parte das estradas, públicas ou pedagiadas.

Neste aspecto encontra-se uma falha grave, que exige a intervenção pelo Estado. O número de balanças ainda é insuficiente para fiscalizar a malha viária brasileira. As que existem têm condição de operação, mas faltam agentes públicos que acompanhem as operações 24 horas por dia, sete dias da semana, autuando todo motorista que trafegar com excesso de peso em seu caminhão. Sem eles, qualquer equipamento de pesagem será desnecessário e ineficaz. Chega a ser patético observar a fila de caminhões estacionados ao largo de uma rodovia, aguardando o encerramento das operações de uma balança, cujo horário de funcionamento é limitado e conhecido por todos. As concessionárias de rodovias não têm como intervir, já que o poder de fiscalização e autuação é do poder público.

De nada adiantará o esforço de governos federal e estaduais em investir nas rodovias públicas, além de conceder nos próximos anos 27.591 quilômetros de rodovias (16.778 federais) à iniciativa privada, se o próprio poder público não tomar a iniciativa de alocar equipamento e recursos humanos para fiscalizar o sobrepeso das cargas nos caminhões. Todo investimento realizado na manutenção do pavimento será comprometido, reduzindo sua vida útil, elevando custos e causando mais mortes nas rodovias brasileiras.

Artigo de César Borges, presidente-executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias e ex-governador da Bahia e ministro dos Transportes

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7 comentários

Luis Alves 26/12/2019 - 20:54

Concordo q tem q haver mais fiscalização,mas dizer q sobrepeso danifica a pavimentação,aí é demais,se o pavimento fosse de primeira não haveria desgaste,pelo preço q pagamos nós pedágios daria pra ter um asfalto bem melhor,pra quem não conhece, dê uma passada na Rondon.

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Alexandre Martins da Fonseca Silva 25/12/2019 - 12:09

Mas uma forma de roubar o povo, além do pedágio e multas maís essa porcaria de balança pra atrasar a vida dos motoristas.
Eles te param vc fica retido não têm nem sequer um banheiro pra pessoa que ali está,sem contar o constrangimento que o trabalhador passa ali por pessoas que nem polícias são.
Isso teria que acabar no Brasil.

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GILMAR FERNANDES MACHADO 25/12/2019 - 09:52

Ninguém carrega excesso de carga pôr prazer e sim por necessidade; dividem o valor de um conjunto cavalo e carreta pôr 48 meses ? Pode ser sem juros e ver se é possível pagar!

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manoel Messias Gomes pontes 25/12/2019 - 08:21

Porque não usar o peso bruto do caminhão em vez de usar o peso entre eixo para multar por isso essa estatísticas de excesso de peso. Isso não é uma forma do governo ganhar dinheiro dos caminhoneiro . estrada ruim e que não falta no Brasil
p

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Rogério 24/12/2019 - 08:02

Façam o seguinte, usem como no passado, se for pesado apenas o peso bruto do caminhão, com toda certeza caem as multas e também estes dados, é simples! Excesso de peso entre eixo é só uma forma de tomar dinheiro de quem trabalha, peso bruto é o fundamental o resto é conversa fiada, já fui multado com 20 quilos de excesso, quando para o bruto, ainda faltava 5 toneladas para encher o caminhão.

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Luana Tavares 23/12/2019 - 18:06

Acredito que existe uma forma de combater esse tipo de infração na origem, ou seja na emissão da NF. Criando se um mecanismo para que na NF conste a capacidade de carga do veículo e o peso embarcado é claro. E automaticamente os órgãos responsáveis verificando irregularidades, lançariam as multas ao embarcadores. E no caso do embarcador lançar um peso permitido e após a emissão da NF completar a carga com algum excesso, a responsabilidade seria do condutor diante de uma fiscalização. Acredito que não seria difícil ter esse controle.

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Weslei imberti 24/12/2019 - 20:26

O grande problema é que o governo precisa de arrecadar e essa é uma forma bem simples. Se quiserem acabar com peso entre eixo é muito fácil.

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