Petrobras está pronta para produção do diesel renovável

por Blog do Caminhoneiro

A Petrobras já está com suas refinarias prontas para a produção de um novo tipo de diesel, o Diesel Renovável, que pode ser obtido da mistura do petróleo com óleo vegetal ou gordura animal.

O resultado dessa mistura é o Diesel Renovável RX, que pode ter misturas de 5% ou 12% inicialmente. Esses novos diesel são batizados de R5 e R12, respectivamente. A Petrobras também informa que a mistura pode ter concentração maior.

O diesel renovável é um biocombustível avançado, reduzindo a emissão de poluentes e também melhorando o desempenho dos motores. Para a Petrobras, o novo produto também pode aumentar a concorrência no segmento de biocombustíveis, beneficiando os consumidores.

Apesar desse diesel ser inédito no Brasil, já é usado com sucesso na Europa e nos Estados Unidos, representando mais de 15% do total de biocombstíveis usados.

Hoje, o diesel que circula no país possui por lei 12% de conteúdo renovável, proveniente do biodiesel de base éster misturado ao diesel mineral pelas distribuidoras de combustível. Há uma proposta em discussão para que o diesel renovável possa ser usado como parte desta parcela obrigatória de 12 %. O percentual obrigatório deve crescer até 15 % em 2023, também por determinação legal.

Vantagens do diesel renovável

O diesel renovável é um produto quimicamente idêntico àquele que vem do petróleo, porém com conteúdo de origem vegetal ou animal em sua composição. É um produto isento de contaminantes, com maiores estabilidades térmica e oxidativa, o que garante menos problemas no armazenamento e em sua utilização em motores diesel. Por isso, minimiza danos aos motores, como entupimento de filtros, bombas e bicos injetores, aumentando, na prática, a vida útil dos veículos e reduzindo o custo dos transportes. O diesel renovável também possui elevado número de cetano, o que melhora a qualidade da combustão no motor. Sua semelhança com o óleo diesel mineral significa que ele não apresenta problemas de incompatibilidade com as infraestruturas e motores de veículos já existentes.

O diesel renovável também traz benefícios para o meio ambiente. Ele reduz em cerca de 15 % as emissões de gases de efeito estufa se comparado ao biodiesel éster, considerando-se o mesmo óleo vegetal de origem. Isso ocorre, pois, o biodiesel éster é produzido pela reação da matéria prima renovável com metanol – produto de origem fóssil, o que reduz sua contribuição para a descarbonização do ambiente.

Um benefício mais importante para a qualidade do ar é que o diesel renovável é totalmente compatível com as tecnologias veiculares mais avançadas, uma vez que não possui contaminantes metálicos. Essas tecnologias, já em uso nos Estados Unidos e Europa, permitem a redução das emissões de poluentes locais, como o material particulado e óxidos de nitrogênio. A nova fase da legislação brasileira de emissões, a fase P8 do PROCONVE (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), será introduzida no Brasil em 2022/2023 e exigirá os mesmos limites de emissões usados nos Estados Unidos e Europa, o que levou à necessidade de limites nos teores de biodiesel éster nesses locais, em função dos seus contaminantes metálicos.

Para os consumidores, as vantagens vão além do prolongamento da vida útil dos motores e da redução das emissões: um aspecto muito relevante é a possibilidade de aumentar a competição de mercado, hoje ocupado exclusivamente pelo biodiesel de base éster, o que traz benefício potencial para a composição final do preço do diesel nos postos de combustíveis.

A incorporação de correntes renováveis na matriz energética via processamento conjunto de óleo vegetal com o diesel de petróleo tem ainda outra vantagem: o curto prazo para implantação. Algumas refinarias da Petrobras já estão equipadas para utilizar matéria-prima de origem vegetal ou animal para produzir o diesel renovável. E as demais estão em processo de adequação. Exemplo disso é que testes de produção em larga escala foram realizados com sucesso na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Paraná.

Desvantagens do biodiesel de base éster

Apesar de poder ser produzido com algumas das mesmas matérias primas que o diesel renovável, como óleos vegetais e gordura animal, o biodiesel éster é produzido por um processo mais antigo, chamado transesterificação, e dá origem a um produto tecnicamente inferior.

Devido ao seu processo de produção, ele contém glicerinas em sua composição, o que pode causar danos em bombas e filtros dos veículos, e contaminantes metálicos, incompatíveis com os catalisadores de veículos mais modernos. Em função dos contaminantes metálicos, há um limite máximo para o biodiesel éster no óleo diesel rodoviário na Europa (7 %) e nos Estados Unidos (5 %), para o óleo diesel comercializado para transportes. Testes realizados nos Estados Unidos e no Brasil indicam que o uso de um teor de 10 % (B10) ou superior de biodiesel éster no óleo diesel inviabiliza tecnicamente a introdução da nova fase P8 de controle de emissões no PROCONVE.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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