No Brasil, a aerodinâmica em implementos é atrapalhada pela legislação

por Blog do Caminhoneiro

As montadoras de veículos investem milhões de reais todos os anos para aperfeiçoar seus projetos, visando maior resistência, capacidade de carga e redução do consumo de combustível. Para reduzir o consumo, um dos pilares é a melhoria aerodinâmica, que faz o veículo cortar melhor o vento, reduzindo o esforço que o motor precisa fazer para vencer o arrasto.

Nos caminhões, as montadoras já obtém excelente resultados, com uso de designs cada vez mais eficientes, redução do número de acessórios externos, defletores e até eliminação dos retrovisores. O mesmo é seguido pelas fabricantes de implementos rodoviários, mas isso esbarra em uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito, que impede que os implementos sejam mais econômicos.

A Resolução 323/2009 criou a exigência dos protetores laterais para veículos de carga, visando evitar que ciclistas ou pedestre fossem colhidos pelo veículo, em curvas, por exemplo.

Os protetores laterais precisam ser fixados em toda a extensão dos implementos, com duas barras horizontais, geralmente feitas em alumínio. Esses protetores precisam ser resistentes, para suportar grandes impactos e terem a menor deformação possível.

Com essa resolução em vigor, não é permitido aos fabricantes e proprietários de implementos a instalação de defletores de ar laterais nos implementos, o que permitiria que o ar fluísse melhor pela lateral do veículo, sem sofrer resistência dos pneus e das caixas de ferramenta e de cozinha, por exemplo.

Esse tipo de tecnologia, simples, é usada com sucesso na Europa e Estados Unidos em implementos, e também ganha força nos cavalos-mecânicos aqui no Brasil. Mas a tecnologia poderia chegar aos implementos. Falta uma mudança na legislação, para permitir o uso do dispositivo.

O mesmo acontece com os defletores de ar traseiros, que conseguem direcionar o ar que chega à traseira da carreta para minimizar o vácuo criado por baixa pressão. Porém, esse acessório esbarra na legislação do comprimento.

Calotas nas rodas, principalmente traseiras, redução da distância entre o cavalo e a carreta e redução de todos os espaços possibilitariam um consumo de combustível cada vez mais eficiente.

De acordo com estudo, melhorar o coeficiente aerodinâmico em 5% ou até menos já pode representar uma redução superior a 1% no consumo de combustível, o que faz muita diferença a longo prazo.

Talvez, a legislação precisasse ser atualizada com maior velocidade para se adequar às novas realidades exigidas pelo mercado, fazendo com que a evolução acontecesse mais rapidamente em todos os segmentos.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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