Chegada do Euro 6 ao Brasil pode aumentar preços dos caminhões em 2023

por Blog do Caminhoneiro

Em 2012 o Brasil recebeu sua nova norma de emissões de poluentes para veículos diesel, chamada de Proconve P7 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores Fase 7). Essa norma é equivalente ao Euro 5 presente na Europa, e exigiu milhões de Reais de investimentos das montadoras presentes no Brasil, o que fez o preço final dos caminhões subir.

Essa alta já era prevista anteriormente, e, 2011, viu uma grande corrida dos transportadores às concessionárias, em busca de caminhões Euro 3, com preços menores e sem a exigência do abastecimento do Arla32, que ainda era escasso.

Em 2011 foram emplacados 172.657 caminhões novos no país, e as vendas de modelos Euro 3 seguiram por alguns meses de 2012, enquanto as montadoras ainda tinha estoques de veículos fabricados até dezembro de 2011. Após janeiro de 2012, apenas modelos Euro 5 podiam sem produzidos, e as vendas do fechamento daquele ano foram 20,2% menores do que em 2011, com 137.751 unidades vendidas.

As montadoras, por meio da Anfavea, solicitaram o adiamento da entrada em vigor da nova norma, o Proconve P8, que será iniciada em janeiro de 2023. Com isso, apenas caminhões equipados com a nova tecnologia, que traz uma série de mudanças na comparação com os modelos atuais, Euro 5, poderão ser produzidos no país.

Para saber mais sobre os detalhes da nova regulamentação, o Blog do Caminhoneiro entrevistou Gustavo Bonini, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Scania, montadora que já tem modelos preparados para a nova tecnologia em testes, e também rodando com clientes, que é o caso dos modelos a gás, que já atendem aos requisitos básicos do Euro 6.

Leia a entrevista completa abaixo:

Blog do Caminhoneiro: Quais as principais diferenças da nova norma para o Euro 5, em vigor até agora?

Gustavo Bonini: As principais mudanças são referentes aos níveis de emissão de gases, pois com o avançar das fases, restringe-se ainda mais os níveis de emissão pelo escapamento. O PROCONVE P8 (equivalente ao Euro 6) prevê a redução dos limites nas emissões de gases de escapamento – da ordem de 80% para NOX (óxidos de nitrogênio NO e NO2) e de 50% de Material Particulado (MP) – em relação a norma anterior vigente, PROCONVE P7 – novas rotinas de testes para o processo de homologação, como os ensaios de emissões em tráfego real, e aprimoramento da performance do sistema de auto diagnose do motor, o sistema OBD (on-board diagnose). As alterações significativas nos motores e no sistema de pós-tratamento dos gases de escape contemplam novas tecnologias embarcadas para assegurar controles adicionais à qualidade do ar liberado ao meio ambiente.

Blog do Caminhoneiro: Existem diferenças para o padrão europeu de emissões? Se sim, poderia citar alguns exemplos de mudanças em componentes e tecnologias?

Gustavo Bonini:  Essencialmente, a tecnologia Euro 6, vigente na Europa desde 2014, é a referência utilizada agora no Brasil pela fase 8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE. Vale destacar que na Europa, o EURO 6 foi desmembrado em 5 etapas, sendo que o PROCONVE P8 já parte da terceira delas, que foi válido na Europa entre 2016 à 2019.

A legislação nacional promoveu pequenas mudanças em relação a norma EURO 6, como a exigência de que veículos, quando estacionados e em marcha lenta, desliguem automaticamente os seus motores após 5 minutos nestas condições, além de inserir melhorias no sistema de diagnose de bordo, de modo a armazenar dados de falhas do motor por uma quantidade mínima de tempo.

Blog do Caminhoneiro: Os modelos a gás já cumprem a norma ou precisarão de outras atualizações?

Gustavo Bonini:  Sim, os motores a gás da Scania tecnicamente já atendem aos níveis de emissões de poluentes do PROCONVE P8, equivalentes a legislação europeia Euro 6, cabendo, no entanto, serem submetidos ao processos de homologação, para ratificar este cumprimento frente as autoridades de homologação competentes.

Blog do Caminhoneiro: Com a pandemia, houve tempo hábil para a certificação desses motores para o Brasil?

Gustavo Bonini: Apesar do atraso ocasionado pela pandemia, a Scania segue determinada e comprometida em cumprir a próxima etapa do PROCONVE P8. Há quase três anos, o programa envolve centenas de profissionais especializados de várias áreas e, de forma indireta, quase toda a organização está empenhada com as exigências. Diante do elevado grau de conhecimento técnico, do planejamento minucioso e da coordenação eficiente, foi adicionado um grande empenho da empresa para cumprir o cronograma encurtado pela pandemia da Covid-19 e seus efeitos na economia mundial.

Blog do Caminhoneiro: Em 2012, com o Euro 5, os preços subiram cerca de 15% ou mais para os caminhões. Com o Euro 6 isso deverá acontecer? Qual o percentual esperado de aumento?

Gustavo Bonini: Sempre uma nova tecnologia exige um investimento de desenvolvimento, testes e produção. É um processo normal na indústria. Os clientes vão ganhar ainda mais benefícios com os novos motores. Atualmente, já trabalhamos com uma economia de combustível superior de até 20% em comparação com a geração anterior. Ou seja, o Scania da Nova Geração que já é o mais rentável produto do mercado ficará ainda melhor. Sobre as negociações com os clientes serão iniciadas no momento oportuno.

Blog do Caminhoneiro: Antes do Euro 5, houve uma corrida pela compra de modelos Euro 3, para evitar o preço mais alto e a falta de disponibilidade, na época, do Arla32. A Scania espera uma corrida às concessionárias no próximo ano, em antecipação ao Euro 6 pela possível alta nos preços?

Gustavo Bonini: É um movimento natural do mercado, mas, por enquanto, não vemos este cenário. Estamos recebendo pedidos mais relacionados à necessidade da renovação das frotas. Uma necessidade de alguns anos. O mercado está voltando a ter um patamar de 100 mil unidades, em 2019, com 101 mil caminhões emplacados. E vinha num momento de retomada com expectativa de recuperar os anos de baixas vendas, com renovação mais intensa. Até chegar a pandemia. Em 2020, o impacto foi forte negativamente de abril até julho. Mas, em agosto, os clientes voltaram a demandar e seguimos com a expectativa que se mantenha nesta trajetória.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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