Criminoso condenado a 39 anos de cadeia mantinha frota de 58 caminhões e vida de luxo

Janderson dos Santos Lopes, de 30 anos, está preso em Primavera do Leste, no Mato Grosso, sendo condenado a 39 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Apesar disso, ele levava uma vida de luxo, continuando a operar suas atividades criminosas de dentro do presídio.
Há mais de um ano, quando Janderson foi transferido para a cadeia de Primavera do Leste, a polícia civil de Mato Grosso começou a investigar o aumento patrimonial do preso, com a abertura de empresas; compra de uma frota de caminhões com reboques e semirreboques; imóveis em Cuiabá, Primavera do Leste e Poxoréu; e veículos de luxo para ele e para sua esposa.
Até nas redes sociais a vida dele era mostrada como luxuosa, destacando imagens de seus caminhões, carros, construções imobiliárias e também de gado, como se fosse totalmente livre.
Na manhã de ontem, 07 de maio, a Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Primavera do Leste, deflagrou a Operação La Catedral para cumprir 132 ordens judiciais, entre prisões preventivas, buscas e apreensões, bloqueios de contas bancárias, além de sequestro de bens móveis e imóveis dos investigados.
A investigação apura os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de capitais e facilitação de saída de pessoa presa para atividades ilegais.
Os mandados foram cumpridos em cidades de quatro estados: Primavera do Leste, Paranatinga e Dom Aquino (MT); Uberlândia (MG); Rio Verde (GO) e Santana do Araguaia (PA).
A Polícia Civil apurou a existência de uma associação criminosa que se formou para comprar facilidades e movimentar dinheiro obtido ilegalmente e promover a lavagem de capitais por meio de empresas de construções e, ainda, ofertar vantagens ilícitas a servidores públicos.
Para legitimar os valores recebidos, os investigados utilizaram terceiros e também de pessoas jurídicas para movimentar os valores ilícitos. Houve ainda a aquisição de veículos e imóveis para dar aparência de legalidade ao dinheiro.
Além de Janderson e sua esposa, que foi presa, o diretor da cadeia pública de Primavera do Leste, Valdeir Zeliz dos Santos, foi alvo de busca e apreensão, bloqueio de bens e afastamento do cargo. Ele recebeu valores para facilitar a vida do criminoso.
Janderson usava uma autorização da Justiça para trabalhar fora da cadeia e frequentar a faculdade em Primavera do Leste. Apesar disso, não compareceu a nenhuma das duas obrigações durante o período da investigação.
Na investigação, foi apontada a existência de um esquema de corrupção na venda de benefícios dentro da unidade prisional que incluíam, principalmente, a autorização de trabalho externo e alojamento privilegiado na cadeia.

O diretor da penitenciária recebeu um pagamento de R$ 20 mil, por meio de laranjas, para facilitar as saídas da cadeia de Janderson. Além dele, outros presos aproveitaram o “benefício”.
Dados analisados do relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) demonstraram transações realizadas entre os próprios investigados, corroborando, assim, os vínculos típicos de associação criminosa.
Entre fevereiro de 2022 e novembro do ano passado foram feitas movimentações bancárias em valores que vão de 485 mil a 24 milhões de reais. Além das transações entre si, os investigados também receberam créditos e efetuaram depósitos em contas bancárias de presos ou familiares de presos.
“Esses relatórios evidenciam uma atividade típica de movimentação financeira associada à lavagem de capitais, uma vez que pessoas sem qualquer tipo de vínculo, seja pessoal, profissional ou geográfico, realizaram transferências bancárias em quantias significativas”, pontuaram os delegados Honório Neto e Rodolpho Bandeira, da Derf de Primavera do Leste.
A operação realizada ontem foi chamada de La Catedral, em referência à prisão onde ficou o narcotraficante Pablo Escobar, na Colômbia. A unidade era vigiada pelos próprios homens de confiança do traficante, que fez do local uma extensão de seus negócios ilícitos e da prisão continuava comandando o tráfico de drogas e outras ações violentas, até ser extraditado para os Estados Unidos.
A prisão contava com regalias, como salas de jogos, academia e campo de futebol. Em La Catedral, Escobar realizava festas marcadas com bebidas, drogas e mulheres.
